O Programa de Pós-Graduação em Zoologia (nível Mestrado Acadêmico) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), iniciado em 2003, foi o primeiro curso de Pós-graduação em Zoologia aprovado pela CAPES no Estado da Bahia. Originalmente com área de concentração em Zoologia Aplicada, apresentava três linhas de pesquisa: Conservação e Utilização de Animais, Controle Populacional de Animais e Etologia Aplicada. O PPGZOO tem atraído um número crescente de candidatos de vários estados brasileiros e do exterior desde seu início. Esta característica possivelmente está pautada por seu caráter inovador no que se refere a aplicabilidade do conhecimento zoológico, o que é pouco contemplado por outros programas na área de zoologia no Brasil e América Latina. A decisão de facilitar a realização da seleção fora da UESC certamente contribuiu para manter em alta a procura pelo programa. O número de candidatos passou de 29 em 2005 para uma média de 35 no triênio 2010-2012, chegando a 45 no atual quadriênio, mantendo-se em 15 o número de vagas ofertadas anualmente pelo programa. O curso sempre contou com apoio  CAPES, CNPq  e FAPESB para o financiamento dos alunos, e recentemente tem sido contemplado com bolsas do programa PROTAX para desenvolver estudos de Taxonomia Integrativa. O PPGZOO recebe alunos bolsistas de pós-doutoramento (por meio do projeto PNPD/CAPES). Estes bolsistas comunmente auxiliam alunos do mestrado a desenvolver suas pesquisas.

 

Desde a conclusão de sua primeira turma, em 2005, os discentes que já integralizaram o curso desenvolveram dissertações que visaram: (1) aumentar o conhecimento acerca da diversidade animal regional, (2) ampliar o conhecimento taxonômico sobre a fauna brasileira, (3) apresentar estratégias alternativas racionais para o uso dos recursos animais autóctones, de interesse econômico, que sejam compatíveis com a manutenção da riqueza biológica de seus ecossistemas, (4) identificar espécies de animais raras e/ ou ameaçadas de extinção e estabelecer estratégias para sua conservação, (5) priorizar pesquisas que identifiquem as causas do crescimento populacional de vertebrados e invertebrados autóctones, considerados pragas, e propor técnicas de manejo que diminuam o conflito homem-fauna em alternativa ao seu extermínio e (6) desenvolver estudos etológicos que propiciem melhoria no conhecimento dos processos causais e funcionais dos animais para melhor conhecimento da biologia dos organismos, bem como para atender às adequações nas práticas de manejo visando à conservação, controle ou uso da fauna silvestre in- e ex-situ.

 

Egressos deste programa atuam profissionalmente na docência em universidades públicas (UNEMAT, UNEB, UFRB, UFPI e UFAM), em institutos federais (IFBA, IFAL), em órgãos do poder público como o ICMBio e a FUNAI, e no setor privado como técnicos, tomadores de decisão ou consultores. Outros continuam em seu processo de formação matriculados em programas de doutorado de outros cursos de pós-graduação do país e do exterior como USP, UNESP, INPA, UFBA, UFES e University of Lethbridge (Canadá). A produção científica discente vem em forte ascensão. Passou de menos de cinco artigos por ano no período 2006-2008, para mais de dez em 2009 e mais de vinte por ano desde o triênio 2010-2012. Cabe destacar a co-autoria discente em 2012 em um artigo na Science e de mais quatro na Plos One entre 2012 e 2015.

 

Docentes e discentes regularmente participam de ações promovidas pelo programa para ampliar a visibilidade do curso. Destacam-se a organização de três eventos internacionais (VIII Congresso Internacional de Manejo de Fauna Silvestre na Amazônia e América Latina, em 2006, II Congresso Latino Americano de Etologia Aplicada, em 2011 e XII Simpósio Internacional de Mimercologia, em 2015) e de três nacionais (VI Congresso Brasileiro sobre Crustáceos, em 2010; Congresso Brasileiro de Herpetologia, em 2013 e o Curso de Campo sobre Formigas Poneromorfas do Brasil, em 2014), todos com ampla participação. Em relação à internacionalização do corpo docente, um dos docentes do programa (Dr. Jacques Delabie) está na 1233º posição entre os 3.000 pesquisadores brasileiros mais citados pelo Google Scholar (GS), a nível mundial, segundo a lista publicada pelo Webometrics Ranking of World Universities, enquanto outros dois professores foram agraciados com o prêmio internacional André Buldgen Bedim Prize em 2012 (Dra. Selene Nogueira e Dr. Sérgio Luiz Nogueira-Filho). Um docente (Dr. Mirco Solé) foi nomeado membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências em 2012.

 

Vários docentes do programa têm sido contemplados com financiamento de projetos de pesquisa de agências internacionais (projeto “INCO-Pecari” com a União Européia, projeto “From micro to macroescale: a functional comparison of the structure of Atlantic Chacoan and Amazonian ant communities. Implications for biodiversity conservation” através do convênio firmado entre o CNPq e o Fond National pour la Recherche Scientifique (FNRS-Bélgica), projeto “Resolution of Cryptic Species Complexes of Tephritid Pests to Overcome Constraints to SIT Application and International Trade” organizado e financiado pela Food and Agriculture Organization (FAO) e pela International Atomic Energy Agency (IAEA) da Organização das Nações Unidas (ONU) através do Joint Programme FAO/IAEA - Nuclear Techniques in Food and Agriculture e o projeto WBI/CAPES intitulado “O efeito de diferentes fontes de fibra e do temperamento animal na digestibilidade de nutrientes e na abundância de Salmonella spp. em caititus (Pecari tajacu)”, em parceria com a Universidade de Liège, campus Gembleux). Um dos docentes (Dr. Dennis Röder) pertence a uma instituição européia (Zoological Research Museum Alexander Koenig – ZFMK, na Alemanha).

 

Quatro docentes (Denise Navia, Jacques Delabie, Mirco Solé, Victor G. D. Orrico) atuam como editores ou editores associados/assistentes de revistas internacionais (Acarologia, Herpetology Notes, The Herpetological Journal, Anais da Academia Brasileira de Ciências, Studies on Neotropical Fauna and Environment, Journal of Threatened Taxa, Journal of Brewing and Distilling, Journal of Environmental Chemistry and Ecotoxicology, Myrmecological News, Nauplius, Psyche, Sociobiology, South American Journal of Herpetology e Zootaxa). A maioria dos docentes do programa têm contribuído, como consultores, com periódicos internacionais (Animal Behaviour, Animal Welfare, Applied animal Behaviour Science, Behavioral Ecology and Sociobiology, Behavioural Processes, Bioacoustics, Bloemfontein, Journal of Mammalogy, European Journal of Wildlife Research, Zootaxa, Oryx, PlosOne, Experimental and Applied Acarology, Mammalian Biology, Journal of Natural History, Navorsinge van die Nasionale Museum, International Journal of Acarology, Persian Journal of Acarology, Salamandra, entre outros). Um dos professores prestou consultoria ao IAEA (Austrália) para o cultivo de organismos marinhos.

 

O corpo discente também possui forte internacionalização, tendo atraído alunos estrangeiros desde a sua primeira turma (Juan Martín Cuevas – Argentina). Mais recentemente, vários alunos estrangeiros têm ingressado no programa como alunos regulares, como os colombianos Anderson Munoz Quintero, José Felipe Velez Garcia e Catalina Sánchez Lalinde (turma de 2010) e Yamid Arley Mera Velasco (turma de 2011), as argentinas Pamela Soledad Actis (turma de 2013) e Cecília Inés Seminara (turma 2016), a mexicana Blanca Nayelli Rangel Aguilar (turma de 2014). Além destes, a panamenha Karis Itchel Tuñon Valdes (turma 2015) e o colombiano Heriberto Barbosa Moyano (turma 2016),vieram para a instituição através de convênio internacional da Organização dos Estados Americanos (OEA) com a Assessoria de Relações internacionais da UESC (ARINT). O programa também realizou um acordo de estágio com a Universidade da Bretanha Ocidental (França), recebendo em 2015 o Mestrando francês Morgan Danielo. O programa ainda contou (entre 2012 e 2015) com o bolsista de pós-doutorado Dr. Andrés Egea- Serrano (programa CsF - Atração de jovens talentos, Espanha) e em 2015 com a Dra. Judit Vörös realizando estágio pós-doutoral de três meses com financiamento europeu. Hoje, o programa conta com um Pesquisador Visitante Especial (PVE), o Dr. Konrad Mebert da Suíça, do programa Ciência sem Fronteiras.

 

O PPGZOO se preocupa constantemente com a sua visibilidade internacional, estimulando a participação de docentes e discentes em conferências internacionais, colaborações formais via projetos de pesquisa ou informais entre pesquisadores. Nesse sentido, o programa aprovou, em outubro de 2014, um projeto no valor de R$ 75.000,00 (FAPESB/CAPES - Apoio a programas de Pós-graduação stricto sensu, Chamada Pública nº 003/2014), com previsão de gastos centrados na compra de passagens e no pagamento de diárias para participação dos docentes do programa em reuniões científicas internacionais. Assim, o corpo docente tem tido participação expressiva em congressos internacionais, onde têm apresentado os produtos de suas pesquisas oriundas do PPGZOO. O reconhecimento internacional dos docentes deste programa tem proporcionado o convite para proferirem palestras de abertura de congressos internacionais (Congresso Internacional de Manejo de Fauna da América Latina, Trinidad & Tobago, 2014) e coordenação de mesas redondas (International Ethological Conference, India, 1999; Canadá 2010).

 

A busca de internacionalização é uma realidade deste programa desde seu início sendo uma característica conspícua entre seus docentes e está refletida em publicações com parceiros internacionais. Entre as ações promovidas pelo Programa para melhor qualificação do corpo docente, vêm sendo utilizados, desde 2012, novos critérios de credenciamento, recredenciamento e descredenciamento de docentes. Estes consideram índices quantitativos e qualitativos da publicação docente nos três anos anteriores à avaliação. Esta iniciativa, junto com as parcerias estabelecidas em nível internacional e nacional, já se refletiu na nova nota do Programa (4), no atual quadriênio. A totalidade do corpo docente atual tem coordenado ou participado de projetos aprovados por agências de fomento à pesquisa reconhecidas no país e/ou no exterior. O programa procura credenciar novos docentes com experiência em orientação e com produção científica de elevada qualificação, bem como comprometidos com as atividades do programa. O PPGZOO realiza anualmente reuniões de avaliação do programa, nas quais são discutidos os rumos do curso e as avaliações das disciplinas pelos discentes. Vinte e sete professores/pesquisadores, sendo 20 do núcleo permanente e sete docentes colaboradores/visitantes, integraram o PPGZOO no atual quadriênio. Destes, dez são bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq e 16 possuem vínculo funcional-administrativo com a UESC. Quase todos os docentes possuem experiência na orientação de mestrado e alguns orientam ou já orientaram ou co-orientaram alunos de doutorado.

 

Todos os professores colaboradores possuem forte interação com docentes do programa. Um dos docentes do programa, o Dr. Jacues Delabie, integra o comitê científico do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – PELD do CNPq. Entre nossos docentes há três em postos de tomada de decisão na Fundação de Amparo a Pesquisa do estado da Bahia (FAPESB): um no conselho curador (Dr. Mirco Solé) e dois (Dr. Alexandre Schiavetti e Dra. Selene Nogueria) representantes do comitê de assessoramento à pesquisa, demonstrando o reconhecimento no estado da forte capacidade instalada no programa.

 

Hoje o programa busca a abertura de um curso de doutorado para ampliar suas frentes de atuação e poder formar ainda mais profissionais de excelência. Esta proposta também ajudará a suprir uma carência da área de Biodiversidade apontada pela CAPES na 160 reunião do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES) (Brasília, 2015) que é a demanda reprimida por programas de doutorado na área de biodiversidade na região Nordeste do país.